domingo, 18 de junho de 2017

Velho tema novo


canto agora feliz bem docemente

com tal remanso e com tamanho agrado

meus desenganos foram dominados

o teu amor é a força que me sustenta



esse amor que tu me dás de presente

sendo íntegro sincero e delicado

traz alegria vem pleno de cuidado

generoso sempre nunca insolente



e nada mais a desejar me atrevo

se tanto assim mereço meu desejo

é também te amar pois quero e devo



unidos avancemos nesse ensejo

vamos juntos desfrutar todo o enlevo

dessa tal conquista é tudo que almejo


domingo, 11 de junho de 2017

Vi no velório


pelo piso frio de gastado granito

entre tênis botas sandálias sapatos

impassível às vozes veladas

vi no velório

uma ligeira formiguinha

movendo resoluta as patinhas

caminhava para um destino ignorado

ignorada pelos vivos distraídos

e até pelo morto dorminhoco

domingo, 4 de junho de 2017

A infâmia o tempo desvela


no pântano pestilento

que me vi envolvido

respiro ofegante

ar contaminado

pelo miasma ambiente

animais peçonhentos

rastejam ao redor

o ataque é iminente

querem certamente

envenenar meu sangue

a qualquer momento

o charco pode me tragar

me levando sem esforço

pro fundo de escuro fosso



na noite sem lua

vou cauteloso

é preciso estar atento

o inimigo é perigoso

vou destemido

sem atrevimento mas forte

não há por que temer a sorte



obrigo-me a ouvir

a eloquência do silêncio

no momento

a melhor palavra é a palavra não dita

mesmo que fosse bem dita seria maldita

hoje devo calar

nenhuma palavra

engolir em seco