domingo, 11 de junho de 2017

Vi no velório


pelo piso frio de gastado granito

entre tênis botas sandálias sapatos

impassível às vozes veladas

vi no velório

uma ligeira formiguinha

movendo resoluta as patinhas

caminhava para um destino ignorado

ignorada pelos vivos distraídos

e até pelo morto dorminhoco

domingo, 4 de junho de 2017

A infâmia o tempo desvela


no pântano pestilento

que me vi envolvido

respiro ofegante

ar contaminado

pelo miasma ambiente

animais peçonhentos

rastejam ao redor

o ataque é iminente

querem certamente

envenenar meu sangue

a qualquer momento

o charco pode me tragar

me levando sem esforço

pro fundo de escuro fosso



na noite sem lua

vou cauteloso

é preciso estar atento

o inimigo é perigoso

vou destemido

sem atrevimento mas forte

não há por que temer a sorte



obrigo-me a ouvir

a eloquência do silêncio

no momento

a melhor palavra é a palavra não dita

mesmo que fosse bem dita seria maldita

hoje devo calar

nenhuma palavra

engolir em seco

domingo, 28 de maio de 2017